12th out 2009

Público-alvo: CRIANÇA

O papel de criança no novo mundo do consumo.


Houve um tempo em que criança não era considerada público para nenhum mercado, pois não era efetivamente delas que partia a decisão de compra. Diante das modificações que vêm ocorrendo no mundo, no Marketing e no bom senso de quem o fomenta, nos últimos anos, conclui-se: não é mais bem assim que as coisas funcionam.

Certamente, criança não trabalha, não tem salário e contracheque, poupança, conta corrente ou autonomia. No entanto, sua participação na decisão de compra, hoje, é muito maior do que foi outrora. Um dos fatores responsáveis por essa modificação é a alteração do núcleo familiar.

A crescente inserção da mulher no mercado de trabalho ocasionou o surgimento de uma criança mais independente; crescer sem o constante contato com os pais fez com que os filhos tornassem-se mais autônomos. Com a evolução da tecnologia e, posteriormente, da internet, as crianças dependentes, de anos atrás, deram um salto absurdo no tempo, tendo acesso a informações que seus pais demorariam dias, semanas, meses ou anos para obter. E é justamente daí que surge o poder de decisão das crianças: INFORMAÇÃO.

Segundo Kotler, “a chave para atingir as metas organizacionais consiste em ser mais eficaz do que os concorrentes para integrar as atividades de marketing, satisfazendo, assim, as necessidades e desejos dos mercados-alvos”. O mercado-alvo de hoje inclui, sim, a participação da opinião dos filhos. Isso significa que o público infantil não pode ser ignorado ou ficar em segundo plano na mira dos marketeiros de plantão.

Há um tempo, nas Casas Bahia, por exemplo, só se vendia geladeira e cama. O que levaria um varejo nato a criar um portal exclusivo para as crianças, sendo que quem assina o cheque é o pai ou a mãe?

“A fantástica casa do bahianinho” foi a estratégia utilizada pelo estabelecimento para fisgar seu público-alvo através de seus filhos. Com visual interativo e atrativo, o portal é o canal que o varejo tem utilizado para divulgar sua linha de produtos infantis nesse período que circunda o dia das crianças. É onde o filho pode ver crianças do país inteiro mostrando seus talentos em vídeos e encher o saco dos pais para ter seu vídeo lá, também. De quebra, ainda pode ganhar prêmios da linha de produtos para crianças comercializada pela loja. Qual criança não se sente tentada com isso? E qual pai não se sente tentado a, no mínimo, cogitar a compra de uma TV LCD de 42 polegadas parcelada em 24x no crediário?

MichelFonseca_casa-do-bahianinho

Outro estabelecimento que utilizou o boom das mídias sociais e a ocasião do dias das crianças de forma muito inteligente foi a Saraiva. Dentro do Twitter da Saraiva foi criada uma série de jogos e concursos em troca de prêmios. A participação de crianças presentes entre seus quase 20mil followers foi bastante representativa.

É preciso estar atento às modificações do mercado, especificamente de seu público, e às formas que se deve utilizar para atingi-lo da forma mais adequada. Crianças não são o público-alvo principal da Saraiva e das Casas Bahia. No entanto, os estabelecimentos souberam como e quando agir para atingir esse público. Claro que o foco era vender mais no dia das crianças. Mas, por tabela, acabam se inserindo um pouco mais na vida daquele que, hoje, é responsável por influenciar a decisão de compra dentro de uma casa mas que, ao se tornar gente grande, será seu principal consumidor.

Dica: documentário completo de Estela Renner e Marcos Nis, que trata sobre a relação Criança X Consumo. Vale a pena assistir até o final.

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